Uma lesão de pele que não fecha em cerca de quatro semanas merece avaliação médica, mesmo quando é pequena e não dói. O comportamento importa mais que o tamanho: ferida que forma crosta, descama, sangra ao mínimo toque e volta a abrir no mesmo ponto; mancha que cresce, muda de cor ou ganha bordas irregulares; nódulo perolado com vasos finos na superfície. Causas benignas são frequentes (eczema, psoríase, ceratose, picada infectada, úlcera de origem circulatória na perna), e o exame dermatológico com dermatoscopia resolve boa parte dos casos sem bisturi. Quando a dúvida permanece, o diagnóstico só é fechado pelo exame do tecido. Lesões cutâneas que exigem ressecção com margem ou reconstrução são avaliadas pelo Dr. Gustavo Henklain Duarte (CRM 168708-SP, RQE 120070 em Cirurgia Oncológica) no consultório da Av. Paulista, em São Paulo, que recebe pacientes de bairros da zona sul, como Campo Belo e Brooklin.

Cicatrização tem prazo, e é isso que dá o alerta

A pele é um tecido que se renova constantemente. Uma escoriação superficial em pele saudável costuma epitelizar em poucos dias; uma ferida um pouco mais profunda leva algumas semanas. Quando um ponto da pele passa de quatro semanas sem fechar, sem que exista uma razão evidente (pressão contínua, umidade, coçadura repetida, circulação prejudicada, diabetes descompensado), a explicação deixa de ser o tempo de cicatrização e passa a ser a natureza da lesão.

O padrão que mais se repete na consulta é o da ferida que "quase fecha": forma crosta, o paciente acha que resolveu, a crosta cai, o ponto sangra levemente e o ciclo recomeça, sempre no mesmo lugar. Esse comportamento repetitivo, mesmo em uma lesão de poucos milímetros, é motivo para avaliação, não porque seja necessariamente grave, mas porque só o exame do tecido responde à pergunta.

O que se observa numa lesão suspeita

  • Persistência: mais de quatro semanas sem fechar, ou fechamento seguido de reabertura no mesmo ponto.
  • Sangramento fácil, ao secar com a toalha ou ao encostar, sem trauma que o justifique.
  • Mudança: crescimento, alteração de cor, borda que ficou irregular, relevo que apareceu onde a lesão era plana.
  • Aspecto perolado ou brilhante, com vasos finos visíveis na superfície, às vezes com depressão central.
  • Placa avermelhada que descama e não responde a corticoide tópico usado corretamente por algumas semanas.
  • Localização em área de sol acumulado: face, orelhas, couro cabeludo com pouco cabelo, colo, dorso das mãos e antebraços.
  • Lesão sobre cicatriz antiga, queimadura ou úlcera crônica de longa data.

Sintoma isolado não define nada. O que orienta é o conjunto: o tempo, a mudança e o comportamento da lesão ao longo de semanas, motivo pelo qual fotografar a lesão com uma régua ou moeda ao lado ajuda mais do que descrever de memória na consulta.

O que costuma ser: causas benignas e o que as diferencia

A maior parte das lesões que chegam com a queixa de "não cicatriza" tem causa benigna. A tabela organiza os quadros mais frequentes e o que costuma distinguir cada um no exame.

Lesões de pele persistentes: características e conduta
Quadro O que costuma chamar atenção Conduta habitual
Eczema ou dermatite Coceira intensa, várias áreas, bordas mal definidas, oscila com clima e estresse Tratamento tópico e reavaliação; biópsia se não responder
Ceratose actínica Placa áspera, com sensação de lixa ao toque, em área de sol crônico Tratamento pelo dermatologista; é lesão precursora, exige seguimento
Ferida infectada Dor, calor, vermelhidão que se expande, secreção purulenta, evolução em dias Tratamento da infecção e reavaliação após a resolução
Úlcera venosa da perna Terço inferior da perna, com edema, pele escurecida e varizes Tratamento da causa circulatória; biópsia de borda se mudar de aspecto
Lesão que mantém a suspeita Não fecha, sangra fácil, cresce, borda elevada e endurecida Exame do tecido, é o que fecha o diagnóstico

Como o diagnóstico é feito

A primeira etapa é clínica, com dermatoscopia, um dispositivo óptico que revela padrões de vasos e de pigmento invisíveis a olho nu. Muitas lesões são resolvidas nessa etapa, com diagnóstico de benignidade e alta ou com um plano de tratamento tópico e reavaliação marcada.

Quando a suspeita permanece, a peça de tecido é o que decide. A escolha do tipo de biópsia não é indiferente: em lesões pigmentadas, a retirada da lesão inteira preserva a possibilidade de medir a espessura corretamente; em placas extensas, uma amostra representativa costuma ser suficiente para definir a conduta. Essa escolha técnica é feita conforme a hipótese principal e conforme o que será necessário depois.

Uma observação prática: o laudo anatomopatológico não descreve apenas o tipo de tumor quando é o caso. Ele informa subtipo, profundidade e situação das margens, e são esses dados que determinam se o tratamento termina ali ou se exige ampliação. Guardar o laudo e, quando possível, ter acesso ao bloco de parafina evita repetir procedimento.

Quando isso vira caso cirúrgico

Confirmado um tumor cutâneo, o tratamento é, na maior parte dos casos, a retirada da lesão com uma faixa de pele sadia ao redor. A largura dessa faixa não é escolhida por estética: ela sai do tipo do tumor e do que o laudo mostrou. É por isso que operar antes de saber o diagnóstico costuma gerar reoperação.

A participação do cirurgião oncológico é maior em situações específicas: lesões em face, com necessidade de reconstrução por retalho ou enxerto para preservar função de pálpebra, nariz, lábio e orelha; tumores que já foram tratados e reapareceram no mesmo local; lesões extensas ou com limites imprecisos; suspeita de comprometimento de linfonodos; e pacientes imunossuprimidos, nos quais lesões múltiplas e mais agressivas são frequentes.

O detalhamento de cada cenário está nas páginas específicas: carcinoma basocelular e espinocelular, cirurgia para melanoma e o panorama em tratamento de tumores de pele.

O que fazer enquanto aguarda a avaliação

Duas atitudes atrapalham o diagnóstico e são comuns: cauterizar a lesão por conta própria com produtos caseiros e usar pomadas sucessivas até que o aspecto mude. Ambas alteram a superfície justamente onde estão as pistas do exame clínico e da dermatoscopia. Manter a área limpa, seca, protegida do sol e sem manipulação é o suficiente até a consulta.

Vale também registrar a data em que a lesão apareceu, o que já foi usado e por quanto tempo, e fotografar a evolução. Essa linha do tempo tem valor real na decisão, porque diferencia lesão estável de lesão que está mudando.

Onde é feita a avaliação

O consultório fica na Av. Paulista, 1048, 18º andar, em Cerqueira César, São Paulo. Parte dos pacientes chega encaminhada por dermatologistas e clínicos de bairros da zona sul, como Moema, Brooklin, Vila Nova Conceição e Campo Belo. De Moema, Brooklin e Campo Belo o acesso de metrô é pela Linha 5-Lilás, com baldeação para a Linha 2-Verde, que corre sob a Avenida Paulista; da Vila Nova Conceição, que não tem estação, o caminho usual é de carro pelo eixo Ibirapuera–Vinte e Três de Maio. Leve o laudo da biópsia, quando já existir, e a informação sobre onde o material foi processado.

Para conhecer o escopo da especialidade, veja especialista em cirurgia oncológica em São Paulo; o índice completo de temas está em conteúdos.

Perguntas frequentes

Quanto tempo devo esperar antes de mostrar a lesão a um médico?
O parâmetro mais usado é quatro semanas: ferida superficial em pele saudável costuma epitelizar nesse intervalo. Passado esse prazo sem fechar, ou fechando e reabrindo repetidamente no mesmo local, a avaliação é indicada. Não é preciso esperar as quatro semanas quando a lesão sangra sem trauma, cresce rápido, dói de forma desproporcional ao aspecto ou apareceu sobre uma cicatriz antiga.
A regra do ABCDE serve para qualquer lesão de pele?
Ela foi criada para pintas e manchas pigmentadas: assimetria, bordas irregulares, cores variadas, diâmetro maior que 6 milímetros e evolução ao longo do tempo. É útil, mas não cobre tudo. Lesões não pigmentadas (nódulo cor da pele, placa avermelhada que descama, ferida perolada) não são detectadas por esse critério e são justamente as que mais aparecem como úlcera que não fecha. Por isso o critério clínico principal continua sendo a lesão que muda e não cicatriza.
A biópsia de pele pode espalhar o tumor?
Essa preocupação aparece com frequência na consulta e não encontra respaldo na prática oncológica: a biópsia é o procedimento que permite saber o que está sendo tratado e planejar a margem correta. Adiar o exame do tecido, sim, tem consequência conhecida: a lesão continua crescendo e a cirurgia necessária depois tende a ser maior. O que existe é técnica adequada de biópsia para cada suspeita, escolhida para não atrapalhar o tratamento definitivo.
Ferida na perna que não fecha há meses é câncer de pele?
Na maioria das vezes, não. Úlceras de perna decorrem sobretudo de insuficiência venosa crônica, de doença arterial e de neuropatia diabética, e o tratamento é o da causa de base. O ponto de atenção é a úlcera de longa data que muda de aspecto, ganha bordas elevadas e endurecidas ou passa a crescer depois de anos estável: nesse cenário, a biópsia da borda entra na investigação. Ferida crônica que não responde ao tratamento correto precisa ser reavaliada, não apenas curativada.
Em que momento o cirurgião oncológico entra nesse caminho?
Quando a lesão exige ressecção com margens planejadas e reconstrução, quando está em região de anatomia delicada como face, pálpebra, nariz e orelha, quando já foi tratada e voltou no mesmo lugar, quando há suspeita de comprometimento de linfonodos ou quando o paciente é imunossuprimido, como transplantados. Fora dessas situações, dermatologista e clínico resolvem grande parte dos casos.

Fontes

Conteúdo informativo revisado por médico; não substitui a consulta nem a avaliação individualizada. Em caso de dor abdominal intensa, febre, vômitos persistentes ou sangramento, procure atendimento de urgência.

Revisado por Dr. Gustavo Henklain Duarte, CRM 168708-SP | RQE 120070 e RQE 105657. Última revisão em 31 de julho de 2026.