O câncer do colo do útero é causado pela infecção persistente por tipos oncogênicos do HPV e evolui a partir de lesões precursoras que levam anos para se transformar. A cirurgia é o tratamento indicado nos estágios iniciais: da conização, em lesões microinvasivas, à histerectomia radical com linfadenectomia pélvica. A partir do estágio IB3 e nos tumores que já invadem paramétrios, vagina superior ou linfonodos, o tratamento de escolha é a quimiorradiação, e operar antes tende a somar morbidade sem ganho, além de atrasar o tratamento que efetivamente controla a doença. Quem define essa fronteira é a avaliação de estadiamento, não a preferência por operar. O atendimento acontece na Av. Paulista, 1048, em São Paulo, com o cirurgião oncológico Dr. Gustavo Henklain Duarte (CRM 168708-SP, RQE 120070), de acesso simples pelas linhas verde e azul do metrô para quem vem da zona sul.

Do HPV à lesão invasora

O colo do útero é a porção inferior do útero, que se abre para a vagina. É ali que o HPV se instala. Cerca de quatro em cada cinco tumores desse órgão são carcinomas escamosos, originados no epitélio que reveste a ectocérvice; a maior parte do restante são adenocarcinomas, que nascem no canal endocervical e escapam com mais facilidade da coleta do exame preventivo. Entre a infecção persistente e o câncer invasor há uma etapa intermediária de lesões precursoras que costuma durar anos. Essa lentidão é a razão de o rastreamento funcionar: tratar uma lesão de alto grau no consultório evita uma cirurgia oncológica anos depois.

Os sintomas aparecem tarde. Sangramento após a relação sexual, sangramento fora do período menstrual, corrimento com odor e dor pélvica costumam indicar doença já invasora. Quando o tumor cresce e compromete os ureteres, surgem dor lombar e perda de função renal, cenário em que a operação não é mais a primeira medida.

Como o estadiamento define a conduta

A confirmação vem da biópsia dirigida por colposcopia, e o estadiamento usa exame físico, ressonância magnética de pelve e tomografia ou PET-CT para avaliar linfonodos e doença à distância. A classificação FIGO, revisada em 2018, passou a incorporar imagem e estado linfonodal, o que aproximou o estágio da realidade anatômica da paciente. O resultado dessa avaliação separa dois mundos distintos.

Nos tumores restritos ao colo e de menor volume, a cirurgia é o tratamento. A partir do estágio IB3 e nos casos com invasão de paramétrios, terço inferior da vagina, bexiga, reto ou linfonodos comprometidos, o tratamento de escolha é a quimiorradiação com braquiterapia. Operar nesse cenário costuma somar morbidade sem ganho: a paciente recebe a radioterapia mesmo assim, agora com o abdome operado e com atraso no início do que efetivamente controla a doença. Dizer "não vamos operar" é, nesses casos, a conduta correta, não uma desistência.

Comparativo das condutas por estágio

Principais opções de tratamento no câncer do colo do útero
Conduta Situação típica O que é retirado Impacto na fertilidade
Conização (bisturi frio ou alça) Lesão de alto grau ou carcinoma microinvasivo Cone de tecido do colo, com margem Preservada; maior atenção ao risco de parto prematuro
Traquelectomia radical Tumor inicial selecionado, em mulher com desejo de gestar Colo, paramétrios proximais e linfonodos pélvicos; corpo uterino preservado Preservada em casos selecionados, com pré-natal de alto risco
Histerectomia radical com linfadenectomia pélvica Estágios iniciais sem indicação de preservação Útero, paramétrios, manguito vaginal e linfonodos pélvicos Encerrada; ovários podem ser preservados em tumores escamosos de mulheres jovens
Quimiorradiação com braquiterapia Doença localmente avançada (a partir do IB3 / II a IVA) Sem ressecção: tratamento não cirúrgico Encerrada; considerar transposição ovariana antes da irradiação

Por que a via aberta é o padrão aqui

Este é um ponto em que o câncer do colo do útero contraria a tendência geral da cirurgia minimamente invasiva. O ensaio clínico randomizado LACC comparou a histerectomia radical por laparoscopia ou robô com a via aberta em tumores iniciais e observou pior sobrevida livre de doença no grupo minimamente invasivo. As hipóteses levantadas envolvem o uso do manipulador uterino e a exposição da cavidade ao gás sob pressão. Desde então, a laparotomia passou a ser a via recomendada para a histerectomia radical nesse tumor específico. Vale insistir: essa restrição não se estende ao câncer de endométrio nem à maioria das operações abdominais, em que a abordagem por vídeo ou robótica permanece adequada.

Recuperação e efeitos que ninguém conta

A histerectomia radical não é a mesma operação que a histerectomia por mioma. A dissecção dos paramétrios passa perto dos nervos responsáveis pelo controle da bexiga, e é frequente sair da cirurgia com sonda vesical por alguns dias e sentir dificuldade transitória para esvaziar a bexiga nas primeiras semanas. Também são esperados alteração da sensibilidade vaginal e encurtamento do canal, que melhoram com fisioterapia pélvica e uso de lubrificante. Quem faz linfadenectomia pélvica passa a conviver com risco de linfedema de membros inferiores, que exige atenção a inchaço assimétrico e a qualquer porta de entrada para infecção na perna.

Em casos selecionados a alta ocorre em torno de 48 horas, sempre a depender da avaliação individual, e o retorno às atividades leves costuma acontecer em quatro a seis semanas. Se a análise da peça mostrar fatores de risco (margens comprometidas, linfonodos positivos, invasão parametrial), pode ser indicada radioterapia complementar, possibilidade que é discutida antes da cirurgia, e não como surpresa depois.

Prevenção que muda o desfecho

Este é um dos poucos tumores com prevenção primária eficaz. A vacinação contra o HPV, oferecida pelo Sistema Único de Saúde na faixa de 9 a 14 anos, reduz a infecção pelos tipos responsáveis pela maioria dos casos. O rastreamento com exame preventivo mantém a segunda barreira, detectando lesões antes da invasão. Nenhuma das duas medidas substitui a outra: mulheres vacinadas seguem o calendário de exames normalmente.

A avaliação cirúrgica acontece no consultório da Av. Paulista, 1048, em Cerqueira César, a poucos minutos dos bairros da zona sul de São Paulo pelo metrô. Para entender o panorama dos demais tumores ginecológicos, veja a página de oncoginecologia em São Paulo; para o tumor que mais se confunde com este em termos de conduta cirúrgica, veja cirurgia para câncer de ovário.

Perguntas frequentes

Toda mulher com HPV vai ter câncer de colo do útero?
Não. A infecção pelo HPV é muito comum e, na maioria das mulheres, é eliminada pelo próprio sistema imune em até dois anos. O câncer surge na minoria em que a infecção por um tipo oncogênico persiste por muitos anos e produz lesões precursoras que não foram tratadas. É exatamente por causa dessa janela longa que o exame preventivo funciona: dá tempo de tratar a lesão antes de virar câncer.
A histerectomia radical pode ser feita por laparoscopia ou robô?
Nessa doença específica, não como padrão. O ensaio clínico LACC, publicado em 2018, comparou a histerectomia radical minimamente invasiva com a via aberta em câncer de colo do útero inicial e encontrou pior sobrevida livre de doença no grupo minimamente invasivo. Desde então, a laparotomia é a via recomendada para histerectomia radical nesse tumor. Isso não vale para outros tumores ginecológicos: no câncer de endométrio, por exemplo, a via minimamente invasiva segue sendo adequada.
É possível engravidar depois do tratamento?
Depende do estágio e do procedimento. Após conização, a gestação continua possível, com acompanhamento pré-natal atento ao risco de parto prematuro. A traquelectomia radical foi criada justamente para preservar o corpo do útero em mulheres jovens com tumores iniciais selecionados, e há gestações relatadas depois dela. Já a histerectomia radical e a radioterapia pélvica encerram a possibilidade de gestar. Por isso a conversa sobre fertilidade precisa acontecer antes do tratamento começar, não depois.
Quanto tempo leva a recuperação da histerectomia radical?
A internação costuma ser de dois a quatro dias. A sonda vesical pode permanecer por alguns dias porque a dissecção dos paramétrios afeta os nervos da bexiga, e é comum sentir dificuldade transitória para esvaziá-la nas primeiras semanas. O retorno às atividades leves acontece em torno de quatro a seis semanas, com liberação de esforço físico e atividade sexual conforme a avaliação individual. Quem fez linfadenectomia pélvica precisa ficar atento a inchaço de membros inferiores no longo prazo.
A vacina contra HPV serve para quem já foi tratada?
A vacina previne a infecção pelos tipos virais contemplados, então o maior benefício é antes do início da vida sexual. No Brasil, o calendário público prioriza a faixa de 9 a 14 anos. Em mulheres já tratadas de lesão de alto grau, a vacinação pode ser discutida individualmente com o objetivo de reduzir recidivas, mas ela não substitui o seguimento com exames periódicos, que continua obrigatório.

Fontes

Conteúdo informativo revisado por médico; não substitui a consulta nem a avaliação individualizada. Em caso de dor abdominal intensa, febre, vômitos persistentes ou sangramento, procure atendimento de urgência.

Revisado por Dr. Gustavo Henklain Duarte, CRM 168708-SP | RQE 120070 e RQE 105657. Última revisão em 31 de julho de 2026.