O câncer de ovário costuma ser descoberto tarde porque seus sintomas (barriga inchada, saciedade precoce, urgência urinária, desconforto pélvico) se confundem com queixas digestivas comuns. Quando esses sinais aparecem quase todos os dias por mais de três semanas, merecem investigação com ultrassonografia transvaginal e dosagem de CA-125. O tratamento se apoia em duas peças que precisam andar juntas: a cirurgia citorredutora, que busca remover toda a doença visível da cavidade abdominal, e a quimioterapia com platina. A avaliação em São Paulo é feita pelo cirurgião oncológico Dr. Gustavo Henklain Duarte, CRM 168708-SP e RQE 120070, no consultório da Av. Paulista, 1048, que recebe pacientes de toda a capital, incluindo os bairros da zona sul.

Por que o diagnóstico costuma demorar

Os ovários ficam soltos na pelve, sem contato com o meio externo e sem sintoma de alarme precoce equivalente ao sangramento uterino. Um tumor pode crescer e liberar células na cavidade abdominal antes de causar qualquer incômodo. Quando o desconforto chega, ele se parece com problema digestivo: barriga estufada, gases, sensação de empachamento logo no início da refeição, vontade frequente de urinar, dor difusa em baixo ventre. A pista que separa a queixa banal da que merece exame é a persistência: sintomas quase diários por mais de três semanas, em mulher que não os tinha antes.

Deixar a investigação para depois tem custo concreto. A evolução natural leva ao acúmulo de líquido no abdome, à perda de peso e, nos quadros mais avançados, à obstrução intestinal por implantes que envolvem as alças, situação que transforma um planejamento cirúrgico eletivo em atendimento de urgência, com margem de manobra bem menor.

A avaliação de um nódulo no ovário

Nem todo achado ovariano é câncer. A maioria não é. Cistos funcionais, endometriomas e cistadenomas benignos são frequentes e muitos regridem sozinhos. A avaliação combina ultrassonografia transvaginal descrevendo o padrão da lesão (septos espessos, componente sólido, vascularização, papilas), o estado menopausal e a dosagem de CA-125. Diante de suspeita, acrescentam-se tomografia de tórax, abdome e pelve para mapear a extensão. O objetivo dessa etapa é responder a duas perguntas antes de qualquer incisão: a chance de ser maligno é alta o suficiente para exigir cirurgia oncológica? E, se for, toda a doença visível pode ser removida numa operação inicial?

O que a cirurgia citorredutora envolve

A citorredução é uma cirurgia de grande porte com um objetivo mensurável: terminar sem doença visível na cavidade. Dependendo do mapa encontrado, o procedimento inclui histerectomia, retirada dos dois ovários e tubas, omentectomia, remoção de implantes peritoneais, biópsias sistemáticas, avaliação linfonodal e, em parte dos casos, ressecção de segmento intestinal com reconstrução. A laparotomia mediana é a via que permite inspecionar a cúpula diafragmática e as goteiras parietocólicas, regiões onde a doença se esconde. É por essa amplitude que a operação pertence ao cirurgião oncológico e a um centro com estrutura de suporte pós-operatório.

Nos tumores que parecem restritos a um ovário, o cuidado é outro, mas igualmente técnico: retirar a lesão sem rompê-la e completar o estadiamento cirúrgico com lavado peritoneal, biópsias e amostragem linfonodal. Uma parcela relevante desses casos aparentemente iniciais revela doença microscópica fora do ovário, o que muda o estágio e o tratamento subsequente. Em mulheres jovens com tumor borderline ou estágio inicial de baixo risco, a preservação do útero e do ovário contralateral é possível em situações selecionadas, sempre com estadiamento completo.

Operar primeiro ou tratar primeiro

Duas sequências possíveis na doença avançada
Estratégia Quando é considerada Sequência Ponto de atenção
Citorredução primária Doença mapeada como ressecável e paciente com boa reserva clínica Cirurgia inicial seguida de quimioterapia com platina Operação mais extensa; exige estrutura hospitalar compatível
Quimioterapia neoadjuvante e citorredução de intervalo Doença muito disseminada ou condição clínica que não suporta cirurgia ampla de início Alguns ciclos de quimioterapia, cirurgia no intervalo e conclusão do tratamento sistêmico Depende de confirmação do diagnóstico por biópsia antes de iniciar

A escolha entre as duas rotas não é preferência pessoal: sai da avaliação de imagem, do estado clínico e, quando necessário, de uma videolaparoscopia diagnóstica para inventariar a cavidade. Decidir isso em equipe multidisciplinar é o que evita tanto a cirurgia heroica que deixa doença para trás quanto o adiamento de uma operação que seria factível.

Recuperação real e teste genético

A internação após uma citorredução ampla costuma variar de quatro a sete dias, com passagem por unidade de cuidados intensivos em parte dos casos. É esperado retorno lento do trânsito intestinal, dor manejada com esquema analgésico regular, drenos por alguns dias e cansaço que se estende por semanas. A quimioterapia complementar normalmente começa quando a cicatrização está adequada, geralmente entre três e seis semanas. Quando os dois ovários são retirados antes da menopausa natural, ela se instala de forma abrupta e os sintomas merecem manejo específico.

Toda paciente com carcinoma epitelial de ovário deve ser encaminhada para teste genético de BRCA1 e BRCA2, mesmo sem história familiar. O resultado influencia o tratamento sistêmico e abre a possibilidade de aconselhamento para filhas, irmãs e mãe, que podem se beneficiar de vigilância dirigida e de salpingo-ooforectomia redutora de risco depois de completada a prole. Essa é uma das poucas situações em que o diagnóstico de uma paciente muda o futuro de várias mulheres da mesma família.

As consultas acontecem na Av. Paulista, 1048, 18º andar, com acesso direto de metrô para quem vem de Moema, Vila Mariana, Campo Belo e demais bairros da zona sul de São Paulo. Para o panorama dos tumores ginecológicos, veja oncoginecologia em São Paulo; para a doença que segue lógica cirúrgica bem diferente desta, veja cirurgia para câncer de colo do útero.

Perguntas frequentes

Existe exame de rotina que detecte câncer de ovário cedo?
Não para a população geral. Estudos populacionais amplos, incluindo o UKCTOCS no Reino Unido, testaram rastreamento com CA-125 e ultrassonografia transvaginal em mulheres sem sintomas e não demonstraram redução de mortalidade. Houve, em contrapartida, cirurgias desnecessárias por achados falso-positivos. Mulheres com mutação em BRCA ou forte história familiar são situação à parte e seguem protocolo específico de vigilância e de cirurgia redutora de risco.
CA-125 alto significa câncer?
Não isoladamente. O CA-125 sobe em endometriose, miomas, doença inflamatória pélvica, gravidez, cirrose e até durante a menstruação. Ele é útil em outro papel: interpretado junto da imagem e do estado menopausal, ajuda a estimar risco de malignidade de um nódulo anexial; e, depois do diagnóstico, serve para acompanhar resposta ao tratamento e detectar recidiva. Um valor normal também não exclui câncer, sobretudo em tumores iniciais.
Por que a cirurgia é tão extensa?
Porque o câncer de ovário se espalha por contiguidade na cavidade abdominal, semeando implantes no peritônio, no omento, na superfície do diafragma e nas alças intestinais. O objetivo da citorredução é não deixar doença visível ao final, e o volume de doença residual é um dos fatores mais consistentes ligados ao resultado do tratamento. Por isso a operação pode envolver útero, ovários, omento, peritônio e, em parte dos casos, ressecção de segmento intestinal.
Todas as pacientes devem fazer teste genético para BRCA?
O teste genético é recomendado a todas as mulheres com diagnóstico de carcinoma epitelial de ovário, independentemente de história familiar. O resultado tem duas consequências práticas: orienta o uso de terapias-alvo específicas no tratamento e permite avaliar parentes de primeiro grau, que podem se beneficiar de vigilância e de cirurgia redutora de risco antes de qualquer doença aparecer.
Quem opera ovário entra em menopausa?
Se os dois ovários forem retirados antes da menopausa natural, sim, e ela se instala de forma abrupta, com ondas de calor, alterações de sono e humor e ressecamento vaginal mais intensos do que na transição fisiológica. Isso precisa ser conversado antes da cirurgia, junto das estratégias de manejo dos sintomas e da saúde óssea. Em tumores iniciais ou borderline de mulheres jovens, existe a possibilidade de preservar o ovário contralateral e o útero em casos selecionados.

Fontes

Conteúdo informativo revisado por médico; não substitui a consulta nem a avaliação individualizada. Em caso de dor abdominal intensa, febre, vômitos persistentes ou sangramento, procure atendimento de urgência.

Revisado por Dr. Gustavo Henklain Duarte, CRM 168708-SP | RQE 120070 e RQE 105657. Última revisão em 31 de julho de 2026.