A maior parte dos tumores de pele é tratada com cirurgia: a lesão é retirada com uma margem de pele sadia ao redor e a peça inteira segue para exame anatomopatológico, que confirma o tipo do tumor e informa se as margens ficaram livres. O planejamento muda conforme o diagnóstico: carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e melanoma pedem margens diferentes e condutas diferentes em relação aos linfonodos. Atendo em consultório na Av. Paulista, 1048, em Cerqueira César, São Paulo, e recebo pacientes encaminhados de bairros da zona sul como Moema, Vila Mariana e Campo Belo, que chegam de carro pela Av. Vinte e Três de Maio ou de metrô, com desembarque na estação Trianon-Masp. A conduta é definida caso a caso, considerando o tipo do tumor, a região do corpo, o estado de saúde e as preferências do paciente.
Quais tumores de pele chegam ao consultório do cirurgião
Pele é o órgão em que o câncer mais aparece no Brasil, e a maioria absoluta dos casos se concentra em três diagnósticos: carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e melanoma. Existem tumores cutâneos raros (carcinoma de células de Merkel, dermatofibrossarcoma protuberans, sarcomas de partes moles superficiais), que seguem lógica própria de margem e estadiamento e costumam ser conduzidos em conjunto com a oncologia clínica.
A conta que interessa ao paciente é outra: quanto de tecido precisa sair, o que entra no lugar e o que muda no acompanhamento depois. Essas três respostas mudam radicalmente conforme o diagnóstico histológico, e é por isso que quase nunca faz sentido operar uma lesão de pele sem antes saber o que ela é.
- Lesão que sangra ao mínimo toque e não cicatriza em algumas semanas.
- Ferida que forma crosta, cai e volta a formar crosta no mesmo ponto.
- Mancha ou pinta que mudou de tamanho, cor ou contorno nos últimos meses.
- Nódulo endurecido em área cronicamente exposta ao sol, como couro cabeludo calvo, orelha e dorso das mãos.
- Lesão previamente tratada que reapareceu na mesma cicatriz.
Diagnóstico antes da ressecção definitiva
A sequência que reduz retrabalho é: exame clínico com dermatoscopia, biópsia adequada ao tipo de lesão suspeita e, só então, cirurgia definitiva com a margem que aquele diagnóstico exige. Inverter essa ordem cria dois problemas frequentes. O primeiro é retirar de menos e precisar reoperar a mesma área, agora com cicatriz e anatomia alteradas. O segundo é retirar de mais em lesão benigna, deixando cicatriz desnecessária em face.
Métodos que destroem a lesão sem preservar tecido para análise (eletrocauterização, crioterapia às cegas, laser em mancha suspeita) impedem o patologista de medir profundidade e avaliar margens. Em lesão pigmentada suspeita, essa perda de informação é especialmente cara, porque a espessura do tumor é o dado que comanda a cirurgia seguinte.
Margem cirúrgica: o número que define o resultado
Margem é a faixa de pele aparentemente normal retirada ao redor do tumor, mais a profundidade até um plano seguro. Ela existe porque o tumor tem prolongamentos microscópicos que o olho não vê. Margem curta aumenta a chance de recidiva local; margem exagerada gera defeito maior, reconstrução mais complexa e sequela desnecessária. O planejamento correto é o menor tecido possível que ainda garanta a retirada completa.
| Característica | Carcinoma basocelular | Carcinoma espinocelular | Melanoma |
|---|---|---|---|
| Velocidade de crescimento | Lenta, meses a anos | Intermediária, semanas a meses | Variável, pode ser rápida |
| Risco de disseminação | Muito baixo | Baixo, mas existente | O mais relevante dos três |
| Principal dano se não tratado | Destruição local de cartilagem e osso | Destruição local e acometimento de linfonodos | Disseminação à distância |
| Ordem de grandeza da margem | Milímetros | Milímetros, maior em alto risco | Centímetros, conforme a espessura |
| Avaliação de linfonodos | Não indicada de rotina | Avaliada em casos de alto risco | Linfonodo sentinela conforme critérios |
Os números exatos de cada situação estão detalhados nas páginas específicas: cirurgia para melanoma e carcinoma basocelular e espinocelular.
Quando a cirurgia não é o primeiro passo
Nem todo tumor de pele começa pelo bisturi. Em pacientes muito idosos ou com doenças descompensadas, o risco anestésico e a cicatrização ruim podem pesar mais do que o ganho da ressecção imediata. Em lesões extensas de face, um tratamento sistêmico ou radioterápico prévio pode reduzir o tumor e permitir uma cirurgia menos mutilante depois. Em tumores superficiais e de baixo risco, o dermatologista dispõe de opções tópicas que evitam internação.
O inverso também vale: adiar cirurgia de lesão que cresce mês a mês transforma um procedimento ambulatorial em uma operação com reconstrução complexa. Perda de asa nasal, de pálpebra ou de parte da orelha por carcinoma negligenciado ainda é um cenário comum em consultório, e quase sempre começou como uma feridinha que a pessoa achou que ia sarar sozinha.
Reconstrução e recuperação sem promessas
Retirado o tumor, sobra um defeito. Ele pode ser fechado diretamente com pontos, com enxerto de pele retirado de outra região, ou com retalho, tecido vizinho deslocado com sua própria irrigação. A escolha considera o tamanho, a mobilidade da pele local e as unidades estéticas da face, além de o resultado precisar preservar função: fechar o olho, respirar pela narina, mover o lábio.
Nos primeiros dias há edema e alteração de sensibilidade ao redor da cicatriz, o que é esperado. Enxertos passam por uma fase de coloração escurecida antes de se integrarem, e isso costuma assustar quem não foi avisado. Fumar atrapalha diretamente a cicatrização de retalhos e enxertos por comprometer a microcirculação, e é um dos poucos fatores que o paciente pode mudar antes da operação.
Seguimento depois do tratamento
Quem teve um câncer de pele tem risco aumentado de desenvolver outro, porque a causa (dano solar acumulado) continua presente em toda a superfície exposta. Por isso o acompanhamento não se resume a olhar a cicatriz: examina-se a pele inteira, incluindo couro cabeludo, orelhas, dorso, pernas, palmas, plantas e leito ungueal. A frequência depende do tipo de tumor e dos fatores de risco de cada pessoa.
Proteção solar diária, roupa e chapéu em atividade ao ar livre e atenção a qualquer lesão que não cicatriza são medidas simples com efeito comprovado sobre o surgimento de novos tumores. Não substituem a avaliação periódica, mas reduzem a chance de a próxima consulta começar com outra biópsia.
Atendimento em São Paulo e acesso pela zona sul
O consultório fica na Av. Paulista, 1048, 18º andar, em Cerqueira César, não na zona sul, mas em um ponto de acesso direto a ela. Pacientes que moram em Moema, Vila Nova Conceição, Campo Belo, Brooklin, Itaim Bibi, Vila Olímpia, Vila Mariana e Jardins costumam chegar de carro pela Av. Vinte e Três de Maio ou pela Av. Brigadeiro Luís Antônio, e de metrô pela estação Trianon-Masp, na linha verde, com tempo variando conforme o horário e o trânsito.
Traga para a consulta o laudo da biópsia, se já houver, e fotografias da lesão em datas diferentes, quando existirem. A evolução no tempo costuma ser mais informativa do que a aparência isolada no dia do exame.
Perguntas frequentes
- Toda lesão de pele suspeita precisa ser operada?
- Não. Boa parte das lesões avaliadas em consulta é benigna: queratose seborreica, nevo comum, dermatofibroma, cisto. O exame clínico com dermatoscopia resolve muitos casos sem bisturi. A cirurgia entra quando há suspeita de malignidade, quando a lesão muda de aspecto, sangra ou não cicatriza, ou quando o diagnóstico só pode ser fechado pelo exame do tecido.
- Quem trata câncer de pele: dermatologista ou cirurgião oncológico?
- Os dois, em etapas diferentes. O dermatologista costuma identificar a lesão, fazer a dermatoscopia e a biópsia inicial, e trata boa parte dos carcinomas pequenos. O cirurgião oncológico entra nos casos que exigem ressecção mais ampla, reconstrução, avaliação de linfonodos ou tumores recidivados e localmente avançados. Trabalhar em conjunto costuma ser mais útil ao paciente do que disputar a conduta.
- A cirurgia de pele exige internação e anestesia geral?
- Depende do tamanho e da localização. Lesões pequenas em tronco e membros costumam ser removidas em ambiente ambulatorial, com anestesia local. Lesões maiores, em face, ou que exigem retalho de reconstrução e avaliação de linfonodos, são feitas em centro cirúrgico, com sedação ou anestesia geral. Em casos selecionados a alta pode ocorrer no mesmo dia, a depender da avaliação individual e da resposta do paciente.
- O que acontece se o laudo apontar margem comprometida?
- Margem comprometida significa que restou tumor na borda do que foi retirado. A conduta habitual é reoperar para ampliar a margem naquele ponto, e não apenas observar. Em situações específicas (pacientes muito frágeis, tumores em áreas críticas), pode-se discutir radioterapia ou vigilância estreita. Essa decisão é tomada com o laudo em mãos, não antes dele.
- Quanto tempo leva a recuperação de uma cirurgia de pele?
- Os pontos externos costumam ser retirados entre 5 e 14 dias, conforme a região: mais cedo na face, mais tarde em tronco, dorso e membros. A ferida fica frágil por algumas semanas: evita-se esforço, alongamento da cicatriz e exposição solar direta. A cicatriz continua amadurecendo por 6 a 12 meses, e o aspecto final é bem diferente do que se vê no primeiro mês, o que costuma assustar quem julga o resultado cedo demais.
Fontes
Conteúdo informativo revisado por médico; não substitui a consulta nem a avaliação individualizada. Em caso de dor abdominal intensa, febre, vômitos persistentes ou sangramento, procure atendimento de urgência.
Revisado por Dr. Gustavo Henklain Duarte, CRM 168708-SP | RQE 120070 e RQE 105657. Última revisão em 31 de julho de 2026.